Comecei a programar aos onze anos e nunca mais parei. Aprendi sozinho, fui me adaptando a cada mudança da internet e, com o tempo, passei por quase todos os cantos de quem faz software, do código do dia a dia até a mesa onde as decisões são tomadas. Hoje lidero tecnologia pra viver. Mas o O Amigo Secreto não veio do trabalho. Veio das horas vagas e de uma teimosia: eu queria provar pra mim mesmo que uma pessoa sozinha ainda consegue tirar um produto de verdade do papel e colocar no ar. Começou como um experimento e foi crescendo. Lá pelas tantas eu percebi que o sorteio nunca tinha sido o ponto. O ponto era o que ele faz com as pessoas: elas se aproximam.
A história por trás do app
Como um app de amigo secreto virou uma plataforma inteira, construída nas horas vagas por uma pessoa só.
Como tudo aconteceu
dez 2025
O primeiro dia
No fim do primeiro dia já tinha coisa rodando na tela: o backend no ar e o app abrindo. Em 48 horas já existia site, e-mail e as primeiras funções. E ali eu tomei uma decisão que virou regra do projeto: nada de ambiente de teste separado. Tudo que eu escrevia de madrugada ia pro ar na mesma hora. Dava um frio na barriga, mas foi assim que ele andou rápido desde o começo.
dez 2025
Mais que o Natal
Logo no começo eu me dei conta de uma coisa: amigo secreto não precisa ser só em dezembro. Tem a festa junina, o dia das crianças, a confraternização da firma, o aniversário que pede uma surpresa. O app deixou de ser sobre uma data no calendário e passou a ser sobre qualquer boa desculpa pra reunir gente. Então ele cresceu pra dar conta de todas elas.
jan–fev 2026
Pronto para o mundo
Chegou a hora de abrir pro público. Coloquei no iPhone, no Android e direto no navegador, pra funcionar onde a pessoa estivesse. Botei três idiomas e login com Google, Apple e Facebook, pra ninguém travar logo na porta de entrada. E levei privacidade e segurança a sério desde o começo, não como um detalhe pra resolver depois. Era um produto pequeno, mas finalmente de pé.
mai 2026
A virada: os 30 Dias Mágicos
Depois do lançamento o projeto ficou parado um tempo. A vida apertou e, por alguns meses, eu quase não mexi nele. Quando voltei, veio junto a ideia que eu mais curto no projeto todo: e se o amigo secreto não acabasse no sorteio? Montei um calendário que vai do sorteio até a revelação, e cada dia abre uma surpresa nova: um dia uma pista, no outro um quiz, no outro uma confissão anônima. Um clique virou uma contagem de 30 dias. A brincadeira ganhou graça e um motivo pra voltar todo dia.
mai 2026
Justiça e confiança
Todo sorteio tem um peso: se as pessoas não confiam que foi justo, o resto não importa. Eu não queria um sorteio que pedisse fé. Queria um que qualquer pessoa pudesse abrir e conferir por conta própria. Coloquei regras claras (casal não tira o próprio par), moderação pra manter o ambiente saudável e deixei a lógica do sorteio à vista. Confiança não se resolve com um banner bonito. Ela vem com o tempo, um sorteio depois do outro.
jul 2026
Oito frentes
Na virada de junho pra julho, o que começou como um app já tinha virado um monte de coisa junta: o app, o site, uma versão web que dá pra instalar, uma loja de presentes e um blog em três idiomas. Oito frentes que conversam entre si. A brincadeira também ganhou jeito de jogo: o grupo tem uma chama que acende quando todo mundo participa, e dá até pra desafiar alguém numa partida de xadrez enquanto o sorteio não chega.
jul 2026
O Presentinho ganhou vida
Faltava um rosto. O presente do logo virou o Presentinho, um mascote que abre o app com um estouro e leva quem chega num passeio curto: criar o grupo, montar a lista de desejos, entender o sorteio. Errei a mão na primeira versão. O passeio interrompia demais e parecia uma emboscada. Refiz em três rodadas até ele esperar a pessoa agir, deixar pular a qualquer hora e ficar divertido em vez de chato. Na mesma época a Loja aprendeu a reparar no gosto de cada um, pra sugerir presente com mais cara de quem vai ganhar.
jul 2026
Quebrei a minha própria regra
Lembra da regra do primeiro dia, de mandar tudo direto pro ar? Em julho eu quebrei. O projeto tinha crescido o bastante pra um erro de madrugada virar dor de cabeça pra muita gente, então ele ganhou um ambiente de ensaio: tudo passa por lá antes e só depois vai pra valer. Junto vieram alarmes que avisam antes de o problema chegar em alguém, proteção contra robôs no cadastro e entrada só com Google, Apple ou Facebook. E comecei a papelada pra ele deixar de ser projeto de pessoa física e virar empresa. Na hora pareceu burocracia. Hoje eu chamo de amadurecer.
ago–set 2026
Pra família toda
Agosto foi silêncio de novo. Seis semanas sem mexer em nada, e dessa vez eu não briguei com isso: o projeto sabe esperar. Voltei em setembro com uma lista do que estava faltando. As crianças e os adolescentes da casa, que nem sempre têm celular, agora entram no sorteio pela conta de quem cuida deles, em Minha família. O grupo ganhou nome, país e moeda própria, porque um presente de vinte reais aqui não é um presente de vinte dólares lá fora. E o app, a Loja e o resto da plataforma passaram a falar português, inglês e espanhol de ponta a ponta.
set 2026
Aprender a tirar
Depois de tanto acrescentar, chegou a hora de tirar. O app tinha juntado coisa demais: xadrez, missões, rankings, um monte de cantinho legal. Quem chegava só pra fazer um amigo secreto se perdia no meio de tanta opção. Então reorganizei tudo em volta do que importa: o grupo, o sorteio, a lista e a troca. O resto não sumiu, só saiu da frente e aparece quando faz sentido. Foi a mudança mais difícil do ano e a que eu devia ter feito antes.
set 2026
Uma praça, com cuidado
Eu também queria que os grupos se enxergassem. Nasceu A Praça, um cantinho onde dá pra ver o que os outros grupos andam aprontando: votar se um presente é achado ou cilada, acompanhar o Presentômetro da semana, descobrir o jeito do seu grupo. Tudo sem conversa solta entre desconhecidos, de propósito. Antes de abrir essa porta, coloquei bloqueio e denúncia que funcionam sem entregar quem tirou quem. Comunidade sem cuidado não é comunidade.
out 2026
Roupa de festa
Em outubro o projeto ganhou roupa nova. O visual ficou mais quente e mais festivo, primeiro no app e na versão web, depois no site inteiro, página por página. Cada pedaço foi pro ar com um interruptor do lado, pra voltar atrás em cerca de um minuto se algo desse errado. A Loja também cresceu: passou a reunir lojas parceiras de vários lugares e aprendeu a se arrumar sozinha, tirando o que ficou parado ou não tem cara de presente.
out 2026
Hoje
Hoje a temporada está batendo na porta. Daqui a pouco começam os sorteios de fim de ano, e foi pra isso que esses meses todos serviram. São nove frentes conversando entre si, e no meio delas segue a promessa que eu não pretendo quebrar: o essencial continua de graça, sem aquele anúncio que atrapalha bem na hora boa. E não está pronto. Quase todo dia eu volto pra melhorar alguma coisa. Também sigo procurando gente pra somar: apoio, parcerias, quem quiser ajudar a levar essa brincadeira pra mais perto de mais gente.
amanhã
A próxima portinha
O mundo anda pesado e apressado, e talvez seja bem por isso que essa brincadeira faça mais sentido do que parece. No fundo ela é só uma desculpa pra lembrar que tem alguém do outro lado, alguém que merece ser lembrado e surpreendido de vez em quando. Eu não sei que tamanho esse projeto vai ter amanhã. Mas sei o que eu não quero que ele deixe de fazer: aproximar as pessoas, num tempo que anda afastando todo mundo. Essa é a próxima portinha, e ela ainda está pra ser aberta. Quem sabe por você.
Como foi construído
Tudo isso saiu de uma pessoa só, nas horas vagas, com IA como par de programação. Ela virou uma companhia constante: adianta o trabalho repetitivo, ajuda a pensar a arquitetura, revisa o que escrevo e aguenta a minha teimosia às duas da manhã. O que era impensável pra uma pessoa sozinha há poucos anos virou uma rotina possível. Os números aqui embaixo não são pra me gabar. São só pra mostrar que dá.
Por que conto isso
Se um produto desse tamanho deu pra fazer sozinho, nas horas vagas, com IA do lado, imagina o que você consegue construir. Pra mim, essa é a melhor parte da história.